Conselhos Shakesperianos pré-embarque

Esses foram os conselhos de um pai a um filho antes que ele partisse para uma temporada no exterior.

Poderiam ter sido palavras de qualquer pai a qualquer filho, ditas pouco tempo atrás, em qualquer lugar do mundo. Porém trata-se de um diálogo escrito por Shakespeare, no livro Hamlet, em algum ano perto de 1600. Ainda assim, não é incrível como os conselhos fazem sentido até hoje?

“E aí vem meu pai, uma dupla bênção é uma dupla graça. Feliz por despedir-me duas vezes.

– Ainda aqui, Laertes! Já devia estar no navio, que diabo! O vento já sopra na proa de teu barco; Só esperam por ti. Vai, com a minha bênção, vai! E trata de guardar estes poucos preceitos:

  • Não dá voz ao que pensares, nem transforma em ação um pensamento tolo.
  • Amistoso, sim, jamais vulgar.
  • Os amigos que tenhas, já postos à prova, prende-os na tua alma com grampos de aço; Mas não caleja a mão festejando qualquer galinho implume mal saído do ovo. (ou: valorizar amigos testados, mas não oferecer amizade a cada um que aparecer na sua frente)
  • Procura não entrar em nenhuma briga; Mas, entrando, encurrala o medo no inimigo.
  • Presta ouvido a muitos, tua voz a poucos.
  • Acolhe a opinião de todos – mas você decide.
  • Usa roupas tão caras quanto tua bolsa permitir, mas nada de extravagâncias.
  • Não empreste nem peça emprestado: Quem empresta perde o amigo e o dinheiro; Quem pede emprestado já perdeu o controle de sua economia.
  • E, sobretudo, isto: sê fiel a ti mesmo e jamais serás falso com ninguém.

– Adeus. Que minha bênção faça estes conselhos frutificarem em ti.

– Com toda a humildade, eu me despeço, pai.

– Vai – que o tempo foge.”

Tradução: Millôr Fernandes

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