custo de vida australia
brasileiras australia
partir ou ficar

Onde Morar

More num lugar onde a comida seja boa – mas que acima de tudo também sirva alimento pra sua alma, seja qual for o combustível que a alimente.

More num lugar onde o ar seja puro e você possa respirar tranquilo. Mas que te faça perder o fôlego de vez em quando.

Um lugar onde o aluguel caiba no orçamento e o noticiário não estoure a paciência. Onde o nascer do sol esteja ao alcance dos seus olhos e um café em boa companhia ao alcance de um telefonema.

Escolha um lugar onde suas ambições sejam atendidas. Onde você possa atingir o alto cargo que tanto almeja, abrir uma fábrica de cerveja ou fazer o que quer que seja.

Uma cidade em que o percurso pro trabalho seja longo o suficiente pra ouvir umas músicas animadoras, mas não lento a ponto de desanimar.

Um lugar onde você saiba a vaga onde estacionar, a prateleira na qual aquele produto está, um lugar baratinho para a calça finalmente mandar ajustar.

More no lugar onde você tenha crescido. Ou que você mesmo tenha escolhido. Fique onde a vida fizer mais sentido.

Diante da necessidade de partir, uma coisa eu posso garantir:

Um pouquinho desse lugar,
Para sempre com você vai estar.

Texto & Imagem: Natália Godoy

Um dia típico (de merda) na nossa viagem pela Austrália

Viagem de carro Australia

Kane sentado no nosso lar

Acordei com o motor do carro vizinho. Aparentemente 5 horas da manhã é um horário relativamente popular entre os campistas na Austrália pra aquecer o motor do carro – que, aquela hora, mais parece um helicóptero prestes a levantar voo. Não que isso seja da minha conta: cada um acorda e pega a estrada no horário que bem entende, mas ficar uns 20 minutos no escuro dando ré na tentativa de engatar o carro no trailer é considerado, de acordo com a Etiqueta do Campista que tem Bom Senso, uma puta sacanagem. As manobras do motorista sem noção quase sempre são acompanhadas pela voz de uma esposa flanelinha que guia os movimentos do marido até que ele acerte o buraco. (Poderia ser obsceno, se não fosse tão irritante.)

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Nua e crua: a verdadeira razão dos meus banhos tão demorados

 

Tiro toda roupa, prestes a cumprir meu ritual diário de desnude corporal e limpeza mental. Certifico-me de que a toalha estará ao alcance do meu corpo molhado assim como todo indivíduo deve checar a presença de papel higiênico antes do início das atividades. Disponho xampu, condicionador e sabonete lado a lado, como se fossem a plateia do espetáculo que esta prestes a começar.

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Visto 457

Visto 457 e tudo que você não precisa saber sobre ele

Queria tanto escrever um post explicativo/opinativo/elucidativo (e tantos outros ivos) sobre a extinção no visto de trabalho 457, mas mal sei pronunciar o nome do Presidente (que eu cismo em chamar de Presidente mas que aqui é Primeiro Ministro) Malcolm Turnbull e ainda estou um pouco em choque que me taxa de desemprego australiana (de 5%) seja motivo de alarde (alô Brasiiiiil!!). Continue reading

morar exterior

Morar no Brasil ou no exterior: 7 perguntas que você deve se fazer ao tomar essa decisão

Se é que há algo mais difícil do que tomar essa decisão, esse algo é escrever sobre o assunto. Mas dei meus palpites aqui, espero que ajudem (mal não deve fazer).

1 – O que é imprescindível que eu tenha na minha vida?
Por exemplo: família (fisicamente) sempre junto, estabilidade, segurança, acesso a serviços públicos de qualidade…

2 – Qual o peso que atribuo a cada um desses itens?
Por exemplo: pode ser que ter seu cachorro por perto seja tão importante, mas tão importante, que… quer saber? Dane-se a segurança dos países mais desenvolvidos e o tanto de dólares que você vai ganhar lá – o que te deixa feliz mesmo é seu bichinho abanando o rabo toda vez que você chega em casa. Continue reading

morar fora

Voltar ou ficar: a decisão mais difícil pro imigrante

A pergunta que já passou pela cabeça de 11 entre 10 brasileiros que moram no exterior (não é como viver sem coxinha), mas se vale a pena voltar pro Brasil. Eu fui e voltei algumas vezes. Tentei ficar mas parti, tentei voltar mas fiquei.

Isso quer dizer que morar aqui na Austrália, o país onde decidi estabelecer residência, é melhor do que morar no Brasil? Ná-né-ni-na não. Isso quer dizer que foi uma decisão fácil de ser tomada e da qual nunca me arrependi? Também não.

Esse texto não terá as respostas definitivas para essa questão (até porquê… tcharããm: não há!), porém muito pode ajudar nessa decisão que, como poucas outras, tem forte influência nos rumos da nossa vida. Continue reading

logo eu

Logo Eu

Tentei ter um emprego convencional
Logo eu
Que abomino o banal

Prezo mesmo é por liberdade
Logo eu
Que sempre sofro de tanta saudade

Quis ser livre e o mundo desbravar
Logo eu
Que mal tenho onde morar

O negócio é aprender a viver com pouco
Logo eu
Que acumulo feito louco

Achei que aos 31 já teria um ou dois filhos
Logo eu
Dona de uma vida tão fora dos trilhos

Quem sabe foco na minha felicidade
Logo eu
Com minhas crises de identidade

Já pensei em desistir de tudo e fugir prá Patagônia
Logo eu
Sua Conterrânea

Minhas 5 resoluções de ano novo – bem simples e extremamente eficazes

1 – Pra cada mudança no corpo que eu deseje fazer, precisarei melhorar outras 2 características da minha personalidade
Mais ou menos assim: “se quero ficar mais musculosa deverei também ser menos ciumenta e mais disciplinada”, ou “se eu fizer lipo também tentarei ser menos crítica e aprender uma nova língua” (ou o que quer que eu precise melhorar).

2 – Filtrar quem eu sigo nas redes sociais
Pode ser tentador seguir pessoas que têm vida/corpos/amores perfeitos, mas vou estar atenta se isso me inspira e me abastece com reflexões e dicas bacanas ou apenas traz frustrações, mostrando a vida normal que levo e corpo inatingível que nunca terei.

alexisren

Quanto mais vejo essas fotos, mais insatisfeita fico com meu corpo. Fui obrigada a parar de seguir hehehe

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pessoas melbourne
imbecil-na-australia-

O dia que eu me senti uma completa imbecil na Austrália – sobre a incrível arte de se reerguer

Misto de frio na barriga com coração palpitante e sudorese acelerada… Dúvida se preferia ser sequestrada, abduzida, receber uma notícia ruim (ou as três alternativas anteriores) a estar ali. Não, não estou descrevendo cenas prévias a um salto de paraquedas nem narrando minhas reações diante de uma barata voadora. Esse temor acontece toda vez que preciso participar de uma simples… dinâmica de grupo. Alô alô, introvertidos! Continue reading

inverno na australia

Sobre ciclos e invernos intermináveis

Nunca fui dessas pessoas que abomina inverno e ama verão, ou daquelas que praguejam contra o calor e exaltam a elegância europeia trazida pelo frio. De qualquer forma, é natural que tenhamos nossas estações favoritas, afinal elas afetam nosso humor e emoções, além de revelarem muito sobre nossas personalidades. Ao mesmo tempo em que um dia cinza é um convite prá atividades mais introspectivas e prá preencher alma, estômago e coração com uma comidinha confortável, curtir longos dias de verão ao ar livre também tem seu valor.

Embora o inverno não seja minha estação preferida, minha implicância em si não é com o frio. Nem com camada sobre camada de roupas, cachecóis e casacos sob as quais minha pele cada vez mais pálida se protege. Tampouco com a dificuldade de sair da cama todas as manhãs e a vontade de comer o dia inteiro. (Ok, há chances de que o problema seja sim o frio – mas não quero cair na fácil armadilha de culpar minhas frustrações em algo que foge totalmente ao meu controle…)

Entrando no meu quinto mês de inverno consecutivo, percebo que minha frustração é, na verdade, com uma estação que nunca termina. Assim como aquele livro que se arrasta, um filme monótono que parece não ter fim, aquela pessoa que constantemente se queixa dos mesmos problemas…

Eu canso. Canso das mesmas piadas, dos mesmos lugares, do mesmo xampu. Enjoo do par de óculos, de praticar o mesmo esporte, da minha cara sempre igual… Canso até da seleta playlist que eu mesma montei com minhas músicas favoritas. Canso das minhas próprias desculpas, e canso até de estar cansada. Continue reading

viajar

Carta ao mundo

Às cidades onde estive:

Têm cidades que nos energizam
Outras que nos fazem andar depressa
O melhor jeito de saber
É quando a gente regressa

Foi meu caso com Nova York: aos 19 anos, a cidade que tirou o meu fôlego; com 30, a cidade que me deixou ofegante. Nada nela mudou nesses 11 anos. Seguia sendo vibrante, barulhenta e movimentada. O efeito em mim, porém, é que foi reverso, e só me fazia ver tumulto, falta de gentileza e ausência de sossego. Nova York: bem no fundo, mesmo quando era adolescente e ficava deslumbrada com seus arranha-céus, sempre soube que aquele caos não combinava comigo.  

A culpa é todinha de Sydney, a cidade mais simpática onde já estive. A cidade onde todo mundo sorri, puxa papo e cada um dita seu próprio ritmo. Lógico que Melbourne irá discordar; a rixa entre essas duas é grande. Você é linda, Melbourne, e nem mesmo essa atmosfera cinza e carrancuda conseguem aplacar tamanha beleza. Se algum dia eu praguejei contra você, é tudo culpa do sol que custa dar as caras por aqui…
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conseguir emprego

21 truques pra conseguir emprego no primeiro mês do intercâmbio – leia o último por favor!

Arranjar emprego é um dos principais desafios da vida no exterior – seguido por achar lugar prá morar e conseguir se comunicar (na real tudo junto ao mesmo tempo e misturado simultaneamente, êê confusão!). Na listinha abaixo vão umas dicas pouco exploradas, mas que podem ajudar bastante nessa empreitada.

1 – Bata muita perna. E não apenas nas ruas movimentadas e regiões onde o comércio é forte. Às vezes pode ser que a vaga que está esperando por você esteja naquele restaurante escondidinho, onde até mesmo a concorrência é menor.

2 – Se o estabelecimento for muito a sua cara e você sentir que adoraria trabalhar lá, não tenha vergonha de perguntar se eles estão contratando, ou como você faz para se candidatar (normalmente, porém, eles anunciam na vitrine).

3 – Vá sozinho: nada a ver se candidatar a empregos com uma turminha a tiracolo.

4 – Dê uma olhada cuidadosa no local antes de entrar sedento por deixar mais um currículo. Tem lugares tão zoados que, vai por mim, nem vale a pena desperdiçar papel.

5 – Esteja preparado: tem locais em que a entrevista começa (ou já é feita) assim que você deixa o currículo com o gerente. Continue reading

vida na australia

A melhor parte da vida no exterior que ninguém conta

Mesmo que não tenhamos plena consciência, muitas decisões que tomamos e caminhos que seguimos são fortemente influenciados pelo meio que nos cerca. Em casa, pais projetam na gente seus os valores, frustrações e até preconceitos. Na escola, reproduzimos fórmulas matemáticas, físicas e químicas do mesmo jeito que o sistema educacional cria cópias de nós mesmos, enquanto nos ensina história, geografia e a querer passar no vestibular. Na mídia, enxurrada de dicas de como se comportar na entrevista de emprego, no primeiro encontro, na cama… Na firma, seguir as políticas da empresa não é suficiente, precisamos também moldar nossas atitudes ao que esperam da gente – mesmo que nem sempre concordemos com elas.  

Somos ligeiros ao traçar mentalmente o perfil de um desconhecido com base apenas nas informações do cargo que ele ocupa, academia que frequenta ou carro que dirige. Embora eu acredite que sejamos muito mais frutos das experiências que vivemos e como lidamos com elas, também é inegável a influência que o meio externo exerce sobre nós.

E se considerássemos um cenário hipotético, onde as pessoas não tenham a menor ideia de quem você é, de que família vem, com quem você namorou ou em que cidade cresceu? Também não teriam a mínima noção da reputação da faculdade onde estudou, e provavelmente nunca tenham ouvido falar nas empresas onde você trabalhou? Continue reading

Emprego na Austrália

32 verdades dolorosas (mas hilárias) sobre subemprego no exterior

1 – o nível de desespero para arranjar um emprego aumenta proporcionalmente ao período da sua estadia no exterior

 2 – a felicidade por conseguir o primeiro emprego só não é maior do que a do visto aprovado

3 – (alegria similar só será vivenciada novamente no último dia de trabalho)

need job

Faxineira no Brasil? Sei…

4 – quando a saudade de casa bate forte, o subemprego parece se tornar ainda mais insuportável

5 – ainda assim, haverá momentos em que você terá orgulho de si próprio

6 – e outros em que você vai se perguntar que diabos está fazendo aqui

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Pagamento por hora Australia

Quanto vale a sua hora?

Aqui na Austrália os salários são mensurados por hora, no caso dos funcionários casuais, ou por ano, pra quem trabalha em turno integral ou meio período. Em geral, no universo dos labours (a galera que trabalha com os “subempregos”), quem ganha $15/hora tá batendo na mesma porta que um bando de chineses desesperados. Um emprego bom deve pagar ao redor de $20, dependendo da cidade.

A primeira vez que me vi pensando em quanto vale a minha hora foi quando meu marido cogitou contratar uma menina prá limpar nossa casa. Eu prontamente sugeri que, ao invés de pagá-la os $25 ou $30 por hora, eu mesma podia fazer a faxina. Pelo capricho que eu empenharia na tarefa, possivelmente demoraria mais, mas por $15 ou $20 eu topava. Acabou sim, consegui o job! A limpeza sobrou prá mim. Já o dinheiro, ficou com ele. Péssimo negócio, admito.

A segunda vez que me vi pensando no valor da minha hora foi num dia que eu estava trabalhando sob o mal estar medonho de uma ressaca filha da mãe. Naquele dia, eu quase propus pagar ao boss pra poder voltar pra casa… Continue reading