Um dia típico (de merda) na nossa viagem pela Austrália

Viagem de carro Australia

Kane sentado no nosso lar

Acordei com o motor do carro vizinho. Aparentemente 5 horas da manhã é um horário relativamente popular entre os campistas na Austrália pra aquecer o motor do carro – que, aquela hora, mais parece um helicóptero prestes a levantar voo. Não que isso seja da minha conta: cada um acorda e pega a estrada no horário que bem entende, mas ficar uns 20 minutos no escuro dando ré na tentativa de engatar o carro no trailer é considerado, de acordo com a Etiqueta do Campista que tem Bom Senso, uma puta sacanagem. As manobras do motorista sem noção quase sempre são acompanhadas pela voz de uma esposa flanelinha que guia os movimentos do marido até que ele acerte o buraco. (Poderia ser obsceno, se não fosse tão irritante.)

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Nua e crua: a verdadeira razão dos meus banhos tão demorados

 

Tiro toda roupa, prestes a cumprir meu ritual diário de desnude corporal e limpeza mental. Certifico-me de que a toalha estará ao alcance do meu corpo molhado assim como todo indivíduo deve checar a presença de papel higiênico antes do início das atividades. Disponho xampu, condicionador e sabonete lado a lado, como se fossem a plateia do espetáculo que esta prestes a começar.

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logo eu

Logo Eu

Tentei ter um emprego convencional
Logo eu
Que abomino o banal

Prezo mesmo é por liberdade
Logo eu
Que sempre sofro de tanta saudade

Quis ser livre e o mundo desbravar
Logo eu
Que mal tenho onde morar

O negócio é aprender a viver com pouco
Logo eu
Que acumulo feito louco

Achei que aos 31 já teria um ou dois filhos
Logo eu
Dona de uma vida tão fora dos trilhos

Quem sabe foco na minha felicidade
Logo eu
Com minhas crises de identidade

Já pensei em desistir de tudo e fugir prá Patagônia
Logo eu
Sua Conterrânea

Minhas 5 resoluções de ano novo – bem simples e extremamente eficazes

1 – Pra cada mudança no corpo que eu deseje fazer, precisarei melhorar outras 2 características da minha personalidade
Mais ou menos assim: “se quero ficar mais musculosa deverei também ser menos ciumenta e mais disciplinada”, ou “se eu fizer lipo também tentarei ser menos crítica e aprender uma nova língua” (ou o que quer que eu precise melhorar).

2 – Filtrar quem eu sigo nas redes sociais
Pode ser tentador seguir pessoas que têm vida/corpos/amores perfeitos, mas vou estar atenta se isso me inspira e me abastece com reflexões e dicas bacanas ou apenas traz frustrações, mostrando a vida normal que levo e corpo inatingível que nunca terei.

alexisren

Quanto mais vejo essas fotos, mais insatisfeita fico com meu corpo. Fui obrigada a parar de seguir hehehe

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pessoas melbourne
imbecil-na-australia-

O dia que eu me senti uma completa imbecil na Austrália – sobre a incrível arte de se reerguer

Misto de frio na barriga com coração palpitante e sudorese acelerada… Dúvida se preferia ser sequestrada, abduzida, receber uma notícia ruim (ou as três alternativas anteriores) a estar ali. Não, não estou descrevendo cenas prévias a um salto de paraquedas nem narrando minhas reações diante de uma barata voadora. Esse temor acontece toda vez que preciso participar de uma simples… dinâmica de grupo. Alô alô, introvertidos! Continue reading

inverno na australia

Sobre ciclos e invernos intermináveis

Nunca fui dessas pessoas que abomina inverno e ama verão, ou daquelas que praguejam contra o calor e exaltam a elegância europeia trazida pelo frio. De qualquer forma, é natural que tenhamos nossas estações favoritas, afinal elas afetam nosso humor e emoções, além de revelarem muito sobre nossas personalidades. Ao mesmo tempo em que um dia cinza é um convite prá atividades mais introspectivas e prá preencher alma, estômago e coração com uma comidinha confortável, curtir longos dias de verão ao ar livre também tem seu valor.

Embora o inverno não seja minha estação preferida, minha implicância em si não é com o frio. Nem com camada sobre camada de roupas, cachecóis e casacos sob as quais minha pele cada vez mais pálida se protege. Tampouco com a dificuldade de sair da cama todas as manhãs e a vontade de comer o dia inteiro. (Ok, há chances de que o problema seja sim o frio – mas não quero cair na fácil armadilha de culpar minhas frustrações em algo que foge totalmente ao meu controle…)

Entrando no meu quinto mês de inverno consecutivo, percebo que minha frustração é, na verdade, com uma estação que nunca termina. Assim como aquele livro que se arrasta, um filme monótono que parece não ter fim, aquela pessoa que constantemente se queixa dos mesmos problemas…

Eu canso. Canso das mesmas piadas, dos mesmos lugares, do mesmo xampu. Enjoo do par de óculos, de praticar o mesmo esporte, da minha cara sempre igual… Canso até da seleta playlist que eu mesma montei com minhas músicas favoritas. Canso das minhas próprias desculpas, e canso até de estar cansada. Continue reading

viajar

Carta ao mundo

Às cidades onde estive:

Têm cidades que nos energizam
Outras que nos fazem andar depressa
O melhor jeito de saber
É quando a gente regressa

Foi meu caso com Nova York: aos 19 anos, a cidade que tirou o meu fôlego; com 30, a cidade que me deixou ofegante. Nada nela mudou nesses 11 anos. Seguia sendo vibrante, barulhenta e movimentada. O efeito em mim, porém, é que foi reverso, e só me fazia ver tumulto, falta de gentileza e ausência de sossego. Nova York: bem no fundo, mesmo quando era adolescente e ficava deslumbrada com seus arranha-céus, sempre soube que aquele caos não combinava comigo.  

A culpa é todinha de Sydney, a cidade mais simpática onde já estive. A cidade onde todo mundo sorri, puxa papo e cada um dita seu próprio ritmo. Lógico que Melbourne irá discordar; a rixa entre essas duas é grande. Você é linda, Melbourne, e nem mesmo essa atmosfera cinza e carrancuda conseguem aplacar tamanha beleza. Se algum dia eu praguejei contra você, é tudo culpa do sol que custa dar as caras por aqui…
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Livro de Maio: Big Magic – Grande Magia

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Do que se trata: Elizabeth fala que todos nós temos alguma paixão e habilidade únicas, as quais muitas vezes a gente não dá vazão. Segundo ela, não precisamos necessariamente viver desse interesse, mas precisamos exercê-lo se quisermos ter uma vida mais livre, divertida e cheia de significado. Na verdade, enquanto eu lia esse livro, não o achei incrível, mas foi um dos que mais sublinhei e destaquei trechos marcantes – ou seja, deve ser melhor do que eu imaginava.   Continue reading

Livro de Janeiro: Herege – Por que o Islã precisa de uma reforma imediata

HEREGE - Ayaan Hirsi Ali - Companhia das Letras

Do que trata: escrito por uma ex-muçulmana, ela aponta trechos do Alcorão e dos ensinamentos do Islamismo que instigam violência, subestimam as mulheres, incentivam perseguição aos inimigos e punições severas aos “infiéis”. A autora defende a ideia de que as principais organizações terroristas atuam de acordo com os preceitos do livro sagrado dos muçulmanos e de que, assim como aconteceu com o Catolicismo e Judaísmo, o Islamismo precisa urgente de uma reforma e atualização.

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Diariamente

Chega em casa, finalmente. Seu refúgio, certamente. Abraçar o gato, loucamente. Tirar o jeans, de forma iminente. E o sutiã, urgentemente. Prá cozinha, tapar o buraco do dente. No sofá, se jogar feito um doente. Internet, prá saber da sua gente. Na linha do tempo, só se fala da presidente. No Facebook, muita menina carente. Melhor relaxar, com uma ducha bem quente. Esfoliar a pele, delicadamente. Água que cai, continuamente. As tristezas se esvaem, salgadamente.  As ideias vêm, fluidamente. Molha o corpo, e clareia a mente. Limpar o rosto, com adstringente. Abraçar quem chega, carinhosamente. Perguntar sobre seu dia, preocupadamente. Uma palavra, que lhe faz sentir potente. Na tv, tudo recorrente. Um abraço, pouco inocente. Um beijo ardente. Um encontro sem precedente. Planejar no dia seguinte, fazer algo diferente. Rezar por aqueles, que ama incondicionalmente. Querer ter sonhos, com os quais acorde contente. Querer ter sonhos, prá poder olhar prá frente.
Imagem: Michael Aaron Williams

Tasmânia – o que tem?

A Tasmânia, além de ser a terral natal do Taz, é um dos 8 estados que formam a Austrália. Por ser uma ilha isolada ao sul do país, com uma população bem pequena e essencialmente rural,  é muitas vezes tratada como o ‘irmão bastando’ do resto da Austrália. Pura bobagem, já que lá encontramos paisagens de tirar o fôlego e um monte de gente simpática. Aí vai uma ideia do que mais tem por lá. 

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Para meus donos de estimação

Tem muita gente precisa de profundas reflexões para descobrir seu verdadeiro propósito na vida. Ao contrário dessas pessoas, eu vim ao mundo com uma função bem definida. E exerço tão bem meu papel de predador que o governo aqui da Austrália pretende exterminar 2 milhões de felinos, como eu, nos próximos anos. Diante dessa intimação, precisei rever meu papel na sociedade, de modo que possa contribuir a ela sem representar uma ameaça à vida selvagem – e, claro, poupando minhas preciosas 7 vidas.

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Minha reação quando fiquei sabendo da notícia…

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