Para meus donos de estimação

Tem muita gente precisa de profundas reflexões para descobrir seu verdadeiro propósito na vida. Ao contrário dessas pessoas, eu vim ao mundo com uma função bem definida. E exerço tão bem meu papel de predador que o governo aqui da Austrália pretende exterminar 2 milhões de felinos, como eu, nos próximos anos. Diante dessa intimação, precisei rever meu papel na sociedade, de modo que possa contribuir a ela sem representar uma ameaça à vida selvagem – e, claro, poupando minhas preciosas 7 vidas.

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Minha reação quando fiquei sabendo da notícia…

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Sobre as coisas do Brasil que eu nunca imaginei que fossem fazer tanta falta

Pão de queijo, guaraná e até Festa Junina já estão quase virando commodities globais. Amigos, família e cachorro farão uma falta danada, mas disso a gente já sabe antes mesmo de partir. Mas os itens abaixo… ááaah, desses eu não esperava sentir saudade.

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Coisas que você pode fazer no exterior sem ninguém julgar

“No estrangeiro, nunca se é um estranho para si, mas sempre o mais íntimo”. Michael Onfray

Se no Brasil muita gente tende a olhar com estranheza para comportamentos que fogem do padrão, no exterior ninguém tá nem aí pro que você faz no restaurante, com sua carreira, como se veste ou com quem se relaciona.

Sejam por fatores econômicos, culturais ou de legado deixado pela família Real quando dividiam solo brasileiro com os tupiniquins (sempre convém culpá-los pelas nossas mazelas), aí vai a listinha das neuras que você pode deixar no Brasil quando embarcar rumo aos destinos mais populares de intercâmbio.

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Diferenças entre fazer intercâmbio aos 18, 25 e 30

ESCOLHENDO DESTINO
Aos 18 – Um lugar onde você possa se divertir e se bancar com o mínimo de ajuda dos pais.
Aos 25 – Um lugar onde o ensino seja de qualidade, o visto seja fácil e você consiga um emprego bacana.
Aos 30 – Um lugar onde você tenha qualidade de vida, ganhe bem, se realize profissionalmente, viva uma linda história de amor e resolva todos os problemas da vida.

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6 verdades poderosas aprendidas em uma temporada no exterior

  • O PODER DA FINITUDE

A sensação de que seu intercâmbio tem data para acabar fará com que você queira aproveitar cada minuto dele, sem poder desperdiçar nenhuma oportunidade de viver algo novo. E na vida as coisas são exatamente assim: a noção de que nada dura para sempre, ou de que final de uma etapa se aproxima, nos dá uma visão mais positiva sobre a situação. É o caso da tristezinha que dá no último dia de emprego (mesmo que você estivesse de saco cheio dele), da dor quando o final de um relacionamento se aproxima ou quando até mesmo alguma doença nos faz lembrar da efemeridade da vida. Vai entender né?

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It’s Refugee’s Week

Essa é a Semana dos Refugiados e a Austrália tá toda nessa vibe meio amistosa meio polêmica.

A vinda desse pessoal que vem tentar asilo político aqui gera muita discussão e a forma como administrar isso parece ser um dos principais problemas da Austrália. O desespero de muitos desses refugiados é tamanho que alguns chegam em barcos insalubres e sem documentação, fugidos das guerras ou perseguições que sofrem no país onde nasceram (Paquistão, Somália, Iraque, Afeganistão, Síria e tantos outros).

Eu, que até já me conformei com algumas injustiças do mundo, não posso deixar de solidarizar com qualquer ser humano corajoso o suficiente para colocar a própria vida em risco em busca da sua felicidade. Assim como eu, uma privilegiada imigrante por opção, eles só estão lutando por um futuro melhor. No fim das contas estamos todos no mesmo barco.

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Cartazes espalhados pelas principais cidades do país: “Australianos de verdade dão boas-vindas”.

10 dicas de alimentação saudável para quem mora no exterior

Todo mundo tem aquele amigo solteiríssimo que é expert quando o assunto é relacionamento. Sinto-me como um deles agora. Não porque darei palpite na vida amorosa alheia mas porque, assim como eles, estou prestes a dar conselhos sobre algo que nunca funcionou comigo: manter o peso durante os intercâmbios.

Desde que vim para Austrália, porém, finalmente consegui o feito de não engordar. Talvez porque esteja mais velha madura, ou tenha embarcado nessa onda de vida saudável. Pode ser também porque antes não tinham as redes sociais prá dar as dicas, nem musa fitness prá inspirar. Independente do motivo, aqui compartilho meus erros e acertos, vem ver!

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Sobre 4 rodas na mão inglesa – 1/2

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Mesmo que eu tenha sido reprovada no primeiro exame de direção, sempre me considerei uma motorista confiável, relativamente boa ao volante. Com a carteira na mão aos 18 anos, para mim ela não apenas dava o direito de dirigir legalmente como também representava toda independência e autonomia trazida pelo possante. Dirigia prá cima e prá baixo, fosse com namorado palpiteiro, mãe gritona ou sozinha mesmo. Não sucumbia diante de nenhuma baliza apertadinha (mas confesso que torcia para não pegar sinal vermelho na ladeira).

Com uma boa trilha sonora, enfrentava desde free-ways vazias até os mais tediosos quilômetros de congestionamento – os quais sempre me faziam duvidar de todas possíveis vantagens já atribuídas a um carro.

Tinha no currículo até mesmo uma BR 116 sozinha, abaixo de uma tempestade assustadora, daquelas que não há velocidade turbo de limpa-vidros que de conta. Com a bravura de uma adolescente destemida, dirigi feito uma senhorinha de 84 anos. Cheguei em casa com a dor muscular da velhinha mas o feito de uma jovem corajosa. Isso aconteceu há alguns anos, no trajeto de Garopaba até Porto Alegre. Até então teriam sido os 400 quilômetros mais tensos da minha modesta vida sobre 4 rodas. Até chegar na Austrália. Continue reading

Morando fora: respostas estúpidas para perguntas idiotas

Esclareça de uma vez por todas a interminável e repetitiva lista de dúvidas sobre a vida no exterior. image – É seguro morar aí?

Você sobreviveu a um dos países com maior incidência de homicídios do mundo. Viveu maior parte da sua vida desconfiando de estranhos, trancafiado atrás das grades do seu prédio e evitando o uso do celular em público. Tem certeza que segurança é realmente sua maior preocupação durante os 6 meses que passará no Canadá?  Continue reading

Asiáticos por toda parte: como lidar

Eles estão por tudo, normalmente em grupos numerosos e bastante barulhentos. Dizem que aqueles que souberem lidar com os orientais têm um trunfo precioso para enfrentar o mercado de trabalho do futuro. Eu venho há anos me empenhando nessa árdua tarefa de entender a tão milenar cultura asiática, que a muitos incomoda mas já não tem mais como evitar.

Longe de ser especialista no assunto, me arrisco aqui a dar alguns palpites que garantiram minha sobrevivência durante quase um ano em solo chinês. Foi uma experiência bastante intensa, mas deu tudo certo. Sobrevivi; não sem alguns hematomas. Eles ficarão sempre comigo, as lições eu compartilho aqui.

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O dia em que eu me reapaixonei pelo Brasil

Hábitos Brasileiros 4

O dia em que eu me reapaixonei pelo Brasil não foi durante a Copa do Mundo, nem estava passando férias na Bahia. Meu time não havia ganhado jogo algum e não surgiram índices de que a violência tivesse diminuído ou a educação melhorado.

Me reapaixonei pelo Brasil em meio a protestos contra o governo, crise da Petrobrás, alta do dólar, dos juros e inflação. Clima de insatisfação geral, vindo de todos contra tudo. E foi nessa maré de desafetos que reatei meus vínculos com a pátria amada. Foi necessária uma tragédia pessoal – a perda do meu pai – para que aflorasse em mim uma nova perspectiva sobre meu país.

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