Sobre 4 rodas na mão inglesa – 1/2

dirigir

Mesmo que eu tenha sido reprovada no primeiro exame de direção, sempre me considerei uma motorista confiável, relativamente boa ao volante. Com a carteira na mão aos 18 anos, para mim ela não apenas dava o direito de dirigir legalmente como também representava toda independência e autonomia trazida pelo possante. Dirigia prá cima e prá baixo, fosse com namorado palpiteiro, mãe gritona ou sozinha mesmo. Não sucumbia diante de nenhuma baliza apertadinha (mas confesso que torcia para não pegar sinal vermelho na ladeira).

Com uma boa trilha sonora, enfrentava desde free-ways vazias até os mais tediosos quilômetros de congestionamento – os quais sempre me faziam duvidar de todas possíveis vantagens já atribuídas a um carro.

Tinha no currículo até mesmo uma BR 116 sozinha, abaixo de uma tempestade assustadora, daquelas que não há velocidade turbo de limpa-vidros que de conta. Com a bravura de uma adolescente destemida, dirigi feito uma senhorinha de 84 anos. Cheguei em casa com a dor muscular da velhinha mas o feito de uma jovem corajosa. Isso aconteceu há alguns anos, no trajeto de Garopaba até Porto Alegre. Até então teriam sido os 400 quilômetros mais tensos da minha modesta vida sobre 4 rodas. Até chegar na Austrália. Continue reading